O Problema
Cada vez mais as grandes cadeias televisivas apostam no conteúdo online, através da disponibilização de episódios completos ou excertos dos mesmos, sem qualquer valor associado. Claro que as “big corporations” nunca gostam muito de dar nada a ninguém, e existem contrapartidas associadas. Na sua maioria, os episódios são interrompidos por pequenos anúncios publicitários, o catálogo de episódios é sempre bastante recente (não há muito conteúdo de arquivo) e, finalmente, existem restrições geográficas.
Estas restrições geográficas devem-se não só aos acordos de publicidade, como também aos acordos internacionais de “syndication”.
Dessa forma, as maiores redes de televisão (principalmente americanas e inglesas, mas também canadianas e australianas), disponibilizam o conteúdo, mas protegendo os seus investidores e investimentos.
As Soluções Gratuitas
A solução gratuita e legal que vem logo à mente será o uso de proxies. O problema dos proxies, como todos que usaram já notaram, é que “morrem” rapidamente. Portanto, mesmo um bom fórum privado de troca de proxies não evita que os IPs durem mais do que 2 ou 3 dias.
Uma solução, ainda associada aos proxies, é a utilização de um bundle com Vidalia + Privoxy + Tor. Esta aplicação funciona como um router “especial”, que vai fazendo o pedido da página a visitar máquina a máquina, até que uma máquina aceite o pedido e devolva o resultado do mesmo. Como nesta aplicação é possível especificar a região das máquinas que devem tratar o pedido, facilmente se consegue perceber como se pode usar esta solução para ver conteúdo restringido.
Claro que o problema desta solução é evidente: os pedidos andam “aos saltos” de máquina em máquina, à procura de uma máquina disponível e da região especificada, e normalmente esse pedido demora sempre a ser devolvido. Como se tratam de ligações anónimas, em que não é partilhada qualquer informação entre máquinas (a aplicação foi criada pelos nossos amigos Americanos para passar pelas censuras da Síria e da China), sempre que há um novo pedido, este vai novamente procurar uma máquina disponível.
Finalmente, existe o afamado Hotspot Shield, VPN sob OpenVPN, mas com limitações de tráfego e de browsers.
O Hotspot Shield era algo bastante aliciante inicialmente, e até poderoso. Mas com a fama, chegam os problemas… E em pouco menos de um mês ficou com um tráfego exageradamente alto para o tipo de serviço que oferece.
Para dar a machadada final, o Hulu baniu recentemente o Hotspot Shield, sendo que, dessa forma, só vejo interesse em usar o mesmo em páginas como o Pandora.
As soluções ilegais passam sempre por duas alternativas: ou Rapidshare/Megaupload ou torrents. Para além de ser bastante mais rápido na disponibilização de conteúdo (em uma hora o conteúdo já está disponível), também tem como ponto a favor a presença de conteúdo “ripado” directamente de fontes HD, o que permite, em certos casos, melhor qualidade do que as versões streaming.
E, claro, que a possibilidade de partilhar ou rever os filmes e séries, online ou offline, é sempre um ponto a favor.
Como esta casa não é minha, e não sei se o dono gostaria muito que falasse destas coisas, não vou desenvolver muito mais isso.
A Solução Paga
Eu não gosto de gastar dinheiro com algo não corpóreo. Mas, por vezes, há excepções que têm que ser feitas.
A solução que partilhei com o Markl é, acima de tudo, uma solução estável, rápida e fiável, algo que nenhuma das soluções anteriores consegue ser. Além disso, é legal (pelo menos se não estiverem para os lados do Dubai, Arábia Saudita, China, Qatar, Síria, entre outros).
Trata-se, então, de uma solução semelhante ao Hotspot Shield – uma VPN (Virtual Private Network) – mas com um valor anual associado, sem limitações de tráfego e um cliente independente do browser.
Os pormenores técnicos do funcionamento da VPN são escusados, mas fica desde já a ideia genérica de que funciona como um túnel privado, em que os pedidos que passam por esse túnel, para além de serem anónimos e protegidos do ambiente exterior (ao contrário do já referido Tron, que protegia totalmente o conteúdo), são recebidos e “tratados” no outro lado do túnel, que, neste caso, será um servidor americano ou inglês.
Existem duas opções válidas no mercado actual. Adquirir os dados de acesso através de ligação PPTP, menos seguro e menos fiável, ou utilizar uma solução baseada em OpenVPN, o mais aconselhado.
Existem serviços online que oferecem apenas PPTP, apenas OpenVPN ou ambos.
As configurações para ligações PPTP são sempre mais acessíveis que OpenVPN, mas mais limitadas, mesmo a nível de configuração. No entanto, são a única solução quando queremos configurar uma VPN num iPhone, por um exemplo.
As configurações em OpenVPN são bastante poderosas, permitindo a integração dessas mesmas configurações num router caseiro, por exemplo.
O que recomendo é que tentem sempre comprar o pacote com ambos. A ligação PPTP é sempre boa para “desenrascar”, em situações de emergência ou em equipamentos com configurações mais limitadas, como o iPhone e outros equipamentos móveis.
É difícil filtrar um bom serviço de VPN de tantos e tantos existentes, mas facilmente se distinguem alguns pela reputação existente. Um desses é o Witopia, serviço que utilizo e recomendei ao Markl.
Este serviço tem várias vantagens em relação a outros. O facto de não ser excessivamente caro (apesar de também não ser nenhuma “bagatela”), joga a seu favor.
Aliado ao preço, a fiabilidade e velocidade são realmente impressionantes para um serviço deste tipo.
Finalmente, o factor que realmente faz a diferença é a existência de vários servidores americanos e um inglês, o que permite não ser necessário investir numa VPN inglesa.
Para a versão PPTP do Witopia, o valor anual é de $39.99, cerca de €29.
Para a versão OpenVPN, o valor anual é de $59.99, cerca de €43. De notar que após a compra desta versão é logo disponibilizado o executável que configura de imediato todas as definições da VPN e instala a aplicação de gestão de ligações VPN.
Finalmente, a versão com ambos os produtos, tem o valor anual de $69.99, cerca de €50.
No entanto, para deixarem 10% do valor no vosso bolso, podem utilizar o código promocional shxpt no Checkout.
How-To
Só vou colocar os passos para a instalação e configuração para a versão openVPN, visto a versão PPTP ser directa. No entanto, caso surjam dúvidas, têm sempre o twitter.
No momento em que realizam a compra do produto, têm a possibilidade de escolher entre duas versões: Mac ou PC.
Mac
A versão para Mac vem com a aplicação Tunnelblick. Para quem não se importar de gastar mais uns cobres, podem sempre comprar a aplicação Viscosity, que automaticamente assume as configurações do Tunnelblick.
Após a instalação, é necessário reiniciar o sistema. Se tudo correr bem, aparecerá junto ao relógio um novo ícone, com o símbolo de um túnel.
As configurações da VPN estão definidas num ficheiro de texto. Esse ficheiro de texto terá o nome de personalVPN.conf e encontrar-se-á no directório ~/Library/openvpn. Este ficheiro terá que ser editado e, para isso, é necessário indicar ao sistema operativo que o utilizador pode ler e escrever no ficheiro. Assim, quando no Finder seleccionarem o ficheiro, é necessário ir a File e clicar em Get Info. Aí, devem alterar o Read & Write para Everyone.
Após isso, podem finalmente abrir o ficheiro personalVPN.conf e procurar por uma linha com um endereço do tipo qualquercoisa.witopia.net (em princípio será vpn.witopia.net).
Esse endereço irá ditar qual o servidor ou país que a VPN irá utilizar.
Existe uma lista de endereços específicos para cada cidade, mas não é necessário neste momento no contexto deste tutorial. O necessário é saber distinguir entre os tipos de endereço.
O endereço por defeito, vpn.witopia.net, permite à VPN ligar-se ao servidor mais rápido, muito possivelmente o mais perto.
O endereço vpn.us.witopia.net, permite à VPN ligar-se ao servidor americano mais rápido.
Finalmente, o endereço vpn.uk.witopia.net, permite à VPN ligar-se ao servidor britânico mais rápido. Como neste momento a Witopia apenas tem um servidor em Manchester, será a esse que ligará com este endereço.
Alterar manualmente o endereço sempre que pretendem mudar de um servidor americano para um inglês e vice-versa, não é, de todo, prático.
Dessa forma, existe a possibilidade de, no mesmo directório ~/Library/openvpn definir vários ficheiros de configuração.
Assim, copiem e colem o personalVPN.conf, e alterem o nome para personalVPN_UK.conf. Após isso, editem o ficheiro de texto e alterem o servidor para vpn.uk.witopia.net.
Façam o mesmo procedimento para o servidor americano, copiando e colando o personalVPN.conf para um novo ficheiro personalVPN_US.conf e editando esse novo ficheiro, mudando o servidor para vpn.us.witopia.net.
Assim, ficarão com uma conexão para velocidade, uma conexão exclusiva para U.S. e outra para U.K.
Após isso, irão verificar que no ícone do túnel vos aparecem três conexões diferentes, que podem alternar consoante o conteúdo que pretendem ver.
Windows
O software instalado em Windows funciona de forma semelhante ao Tunnelblick. O nome do software é personalVPN.
Este software coloca um ícone junto ao relógio com dois terminais e um globo.
Através do how-to do Mac conseguem configurar o personalVPN, com algumas alterações.
O directório com os ficheiros de configuração é o C:\Program Files\WiTopia.Net\config
Novamente, o problema que existe no Mac nas permissões de escrita mantém-se em Windows, logo é necessário retirar a selecção de “Read only” no ficheiro e pasta-mãe. Além disso, na mesma janela de propriedades da pasta e do ficheiro, é necessário dar permissões de escrita ao grupo Users.
O nome dos ficheiros de configuração, por defeito, será personalVPN.ovpn.
No entanto, não se deixem enganar pela extensão. Estes ficheiros são totalmente editáveis num comum editor de texto e o processo será semelhante ao do Mac. É necessário criar dois novos ficheiros, personalVPN_US.ovpn e personalVPN_UK.ovpn, cada um com a sua configuração de servidor distinta.
Após estas configurações, terão também mais opções de conexão no ícone junto ao relógio.
Onde usar?
U.S.A.
Hulu – http://www.hulu.com
Joost – http://www.joost.com
NBC – http://www.nbc.com
CBS – http://www.cbs.com
WB - http://www.thewb.com/shows/
ESPN - http://espn.go.com/video/
NFL - http://nfl.com/videos
MTV - http://www.mtv.com/videos/
VH1 - http://vh1.com/video
Discovery Channel - http://dsc.discovery.com/videos/
National Geographic - http://channel.nationalgeographic.com/channel/videos
Pandora (áudio) – http://www.pandora.com
U.K.
Iplayer – http://bbc.co.uk/iplayer
Spotify (áudio) – http://www.spotify.com
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